terça-feira, 19 de agosto de 2008

Desenho e Poema de Felipe Stefani


DANÇA PRIMORDIAL

Quantas vezes vi a loucura me percorrer cegamente as entranhas?
Lavrando do fundo de um corpo sua flor brutal,
libertando
a dança desregrada que atravessa a voz,
recompondo
na noite o ouro intenso onde a Lua faz ressaca.

Estou completo em minhas paisagens.

De uma vida inteira absorvo a marcha,
canto as estações abertamente,
tocando com o esquecimento as margens,
que se distanciam
e evocam
toda pureza de uma arte.

Quantas vezes essa loucura corrompeu o último enlace
do medo que se abre ao fim de cada feixe de encanto
no alimento obscuro,
colhido do apuro
das visões imensas?

Toda obra é terrível e sangra
na memória a sua imagem.

No auge insondável desse estrondo,
canto
em volta de uma dor,
o dorso se contorce,
no centro,
multiplicando o gesto,
um eco indefinido devora em travessia
centenas de mundos construídos
e sonhados.

Pois a música se apossa da ébria lentidão do meu engano.



***
Mais poemas do autor aqui: http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=3414

Mais desenhos seus aqui: www.pbase.com/sodesenho/felipe_stefani

3 comentários:

Marcelo Novaes disse...

A flor atravessa
o corpo,
a dança atravessa
a voz,
a Lua faz ressaca sobre
ambos.


O medo atravessa
o feixe de
encantos.


Parabéns, Felipe!


Um grande abraço,



Marcelo.

Marcelo Novaes disse...

Valeu, Felipe!

Estarei sempre no Cultuar. Aprecio teus gostos, teu zelo por uma formação legal ( sem burocracia, mas sem desleixo.) Você é, além de tudo, um grande artista plástico,e sabe selecionar uma galera bastante crítica e talentosa em seu entorno. Crítica no melhor sentido do termo. Parte de uma boa geração de autores, na casa dos trinta anos, faz parte do teu círculo de amigos.Muito bom.


Prazerzão te conhecer,também.


Marcelo.

Xavier disse...

meu caro,

perguntas que não calam
são perguntas calosas...

abraço de retorno.