sábado, 24 de novembro de 2007

Poema e Desenho de Felipe Stefani.

Quantas vezes vi a loucura me percorrer cegamente as entranhas?
Lavrando do fundo de um corpo sua flor brutal
Libertando
A dança desregrada que atravessa a voz
Recompondo
Na noite o ouro intenso onde a Lua faz ressaca.

Estou completo em minhas paisagens.

De uma vida inteira absorvo a marcha
Canto as estações abertamente
Tocando com o esquecimento as margens
Que se distanciam
E evocam
Toda pureza de uma arte.

Quantas vezes essa loucura corrompeu o último enlace
Do medo que se abre ao fim de cada feixe de encanto
No alimento obscuro
Colhido do apuro
Das visões imensas?

Toda obra é terrível e sangra
Na memória a sua imagem.

No auge insondável desse estrondo
Canto
Em volta de uma dor
O dorso se contorce
No centro
Multiplicando o gesto
Um eco indefinido devora em travessia
Centenas de mundos construídos
E sonhados.

Pois a música se apossa da ébria lentidão do meu engano.



***
Mais poemas meus em: http://www.revistazunai.com.br/poemas/felipe_stefani.htm
aqui : http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=2443 e: http://revistamalagueta.com/edanteriores/06/poemas/fs.html

Mais desenhos aqui: http://www.pbase.com/sodesenho/felipe_stefani

7 comentários:

Lady Vania de Tróia disse...

André,
Bom poder vir aqui,lêr-te, e absorver tudo que escreves com maestria, dedicação, suavidade e bravura.Pq acho uma valentia escrever como tú, com sentimento e desbravamento da alma.
Celebro-te e obrigada por sermos amigos...novos amigos.

beijos perfumados de carinho.

Everaldo Ygor disse...

Que belo poema
Mas que belo blog
Parabens!
Abraços
Everaldo Ygor
Não deixe de visitar:
http://outrasandancas.blogspot.com/
Poesia, prosa, fotos e andanças...

rimarilda disse...

A LINGUAGEM DO POVO

Saudei o dia ao nascer
Admirando o amanhecer
E na linguagem do povo
Dei bom dia ao grande sol.

Vi crianças na calçada
Indo a escola estudar
Vi mulheres apressada
No dia a labutar.

Velhos e moços passando
Cada qual a seu dispor
Buscando com coerência
No trabalho a se compor.

E na porta entreaberta
Ouvi alguém reclamar
Que a vida esta difícil
Que não sabe contornar.

Falta o pão de cada dia
O leite já acabou, o dinheiro
esta pouco,
E o bebe já acordou.

O que fazer se pergunta
A jovem que apaixonou
Pelo negro da esquina
Mas o pai o renegou.

Acode, acode oh! Meu DEUS
Tantas lutas a enfrentar
A menina adolescente
Que acaba de engravidar.

Porem a messa do homem
É a vida e o amor
Que supera os problemas
Dando ao povo a ilusão.

De que tudo ainda tempo
Basta olhar o seu irmão
Que de sede morre o pobre
Sem ter visto o mar então.

Assim a vida renasce
Todo dia a visar
Fantasias e perigos
Para o homem que amar.

O mundo em seu plebiscito
De que amanhã é melhor
Seguindo então seus instintos
Do amor que é fraternal.

E no passarela escondido
Procura-se um grande amor
Diante do seu umbigo
Esta sempre o redentor.
E2RM
11/11/2007

rimarilda disse...

LÁ VAI A VIDA

Lá vai a jovem nativa
De lenço e abornal
Capinar a terra seca
Na hora do por do sol.

Lá vai a jovem senhora
Com seu vestido azul
Com filho dependurado
Correndo para conseguir.

Lá vai a mãe de avental
Colher a fruto do aipim
Para cozinhar na panela
Para alimentar o guri.

Lá vai o homem cansado
Com seu chapéu a cobrir
Empunha a enxada nos ombros
Tentando então sorrir.

Lá vai o velho a sonhar
Sentado a pestanejar
Embaixo da goiabeira
Querendo acreditar.

Lá vai a vida que assume
Que tem que se renovar
Pois com a maldade existente
Aos poucos o solo queimar.

Lá vai a mãe natureza
Tecendo o fim do cipo
Morrendo sem esperança
De ver o verde reinar.

Lá vai o povo carente
Lá vai a vida que cai
Pois o pulmão escurece
Matando o girassol.

Lá vai o rio sem peixe
Em meio a lama oval
Que enrubesce a corrente
Em meio ao pantanal.

Lá vai a sombra que encobre
Lá vai o sol a queimar
Lá vai o rio que morre
Lá vai o homem a chorar
E2RM
20/09/2007

rimarilda disse...

INMENSÚRAVEL AMOR

Oh! Imensurável furor
Que abrange os olhos do amor
Na conta de um rosário
Que reza a prece ao sabor.

Como invisível serpente
Que dá o bote fatal
Ele ressurge das cinzas
Belo, forte sem igual.

Acena sua postura
Transborda a intuição
Como lânguida formiga
Faz da vida a solução.

Compulsivo como o vento
Mágico feito o luar
Enfeitiça com a beleza
Que transmite seu olhar.

E no desejo eleito
Do desatino do amor
Encontra a fonte vinda
No beijo que tem sabor.

Do imensurável deleite
No indelével prazer
De amar eternamente
Sentindo o envelhecer.
E2RM
5/08/2007

Felipe disse...

Rita,

você tem algum e-mail para que possamos nos comunicar com você?

romulo de almeida disse...

quando leio teus versos tenho a vontade de me deter neles infinitamente.com segurança, sem correr risco de neste ato sofrer de impressionabilidade que me aflija.

são imagens, neste poema, que aludem a viscerabilidade e loucura e dores e desenganos e tecem tantas relações com outras instÃncias... num gesto, teu que é o próprio poema e isso é maravilhoso. diz de uma dinâmica, de um processo...talvez estes nomes sejam precisos mas há um outro bem mais de um feitio próprio, poético...HÁ UM CANTO e aí a vivência é assegurada e tanto o referido como a lira se fundem e nasce um aspecto todo próprio, e grande! como se influenciassem,um a outro: a referência do vivido com a lira que a evoca... então abre-se o encanto