segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Poemas Gregos

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Estou lendo duas antologias de poetas clássicos Gregos e Latinos. Nomes como Horácio, Catulo, Virgílio, Píndaro, Homero, entre muitos outros, têm povoado minha imaginação poética nos últimos tempos.
Neste período, fiz uma série de poemas inspirado nestas leituras, numa espécie de releitura entre o passado e o presente, mirando sempre o futuro.
Trabalharei mais nisso. Estes poemas são o começo de algo.
André Setti




Não nasci
para fazer cantar
apenas
as doces sereias,
os vinhos e os versos
de um vasto império,
no dedilhar eterno de uma lira.

Sou, em trevas,
sentinela que anuncia
o fim de uma era,
em pleno enlace com o tempo,
festim violento
que destroça e gera,
no berço mais profundo
das raízes do mundo,
a rosa eterna,
inicial.

André Setti









Esta sagrada cidade em chamas
despertou
um velho cantor cego
e peregrino,
no abismo de seu violino adormecido,
violino que tantos séculos cantou,
séculos e ninfas, e deusas, e ruínas.

Nas trevas impenetráveis da lenda,
cantaremos o mundo,
a embriaguez.

André Setti







Mataram a beleza
Numa rara tarde de sombras.

Não haveriam de querer
Que ela cantasse as guerras
Com a lira macia dos vinhos.

Foi morta a beleza?
Eu não escuto, mas ela canta,
Nas clareiras abertas por guerreiros
Do encanto impossível.

André Setti







Os gregos navegaram o mundo,
Entre a luxúria e o império,
No reinado eterno dos Deuses,
Pela tragédia e engenho
Dos mares gregos, a odisséia
Dos séculos edificados em colunas,
Das nobre liras profanas
Celebradas por Baco embriagado,
Dos corpos em moto perpétuo
Rumo ao prazer, rumo ao tédio.

São gregos, então são o mundo,
Entre o destino e o talento.

André Setti







Entre o símbolo e o simples cantar,
o que resta ao poeta,
após a lira,
o silêncio reinar sobre o verso,
o que resta
além das metáforas,
do doce navegar dos vinhos?

Mito, delírio,
o que resta
entre luz e enigma,
num ritmo vertiginoso
de som e sentido?

O que resta, poeta?

O futuro,
na sombra de uma bailarina infinita,
o futuro.

André Setti

5 comentários:

Maísa *Pupila disse...

André!
saudade de você poeta!

teus versos sempre acesos,
dançando no olhar do leitor...

beijos poéticos

Nuno disse...

Caro André,

Os poemas estão excepcionais - parabéns! Pode por favor indicar-me quais são as antologias que refere como influência? Agradeço imenso.

Cordialmente,
N.

Anônimo disse...

esses poemas são muito bons espero que escreva mais porque gostei muito deles

trabalhandoemumbomtitulo disse...

Boa noite Poeta!
Eu, xereta pela internet, caçando uns versos gregos, helenos, deparei-me com tua plaqueta de poemas. Grandes! - mas, xereta, & tão intrometido quanto qualquer poeta, apaixonei-me pelo primeiro poema & dediquei-lhe uma modificação, uma corneta.
(Não me desculpo pela intromissão, apenas por não por a diagramação que queria mostrar-lhe, pois já estão apropriados & sabes bem, do poema quando salta ao mundo, não pertence-nos nem mais um bocado)


Não nasci
para cantar
apenas
as doces sereias,
os vinhos e os versos
d'um vasto império,
no dedilhar eterno
de uma lira.

Sou,
em trevas,
sentinela que anuncia
o fim de uma era,
enlaçado com o tempo,
festim violento
que destroça e gera
& no berço mais profundo
das raízes do mundo,
a rosa eterna,
inicia.

Mouna Moura disse...

Eis-me, André, a recitar, em alto e bom som, como se plateia houvesse... E há: A Plateia Histórica da Veeeeeeeeelha Grécia!!!!!!!!!! Sempre renovada. Talvez que se retire para alguma plástica, que somente será feita sobre sua originalidade; impossível descaracterizá-la! Com o coração apertadinho, recitei, André, em alto e bom som, os olhos moiados... Sigamos. Coração no Coração, abraço-o. Mouna