sexta-feira, 14 de maio de 2010

On The Train

Janelas, portas de aço,
desencontrados passos,
vielas.

Olhares atentos,
desatentos à vida.

Vento e trilhos
lidam com o tempo.

Segmentos e partidas.
Malas, mulheres, estações.

Passam as horas,
ficam senões.

Corredores e escadas,
para cima, para baixo,
junto a nada.

No céu um faixo,
na morte de um Sol.

Next stop,
Ton Hall.

Um rosto de mulher
balança ao lado,
no outro vagão.

Portas de aço,
vago olhar de chumbo.
Nesta estação
um vagar profundo.

E tudo passa
na fumaça do mundo.






***

Felipe Stefani, Sydney, Outono 2010.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Como disse o poeta...

"Tal ou tal poeta se-meteu-a-fazer e ainda não sabe como? Pois que faça mais e mais até acertar a mão e o ouvido, eu quero é mais! As cordilheiras não se fazem de picos, fazem-se de sucessivas camadas invisíveis, de acumulações, inclusive as mais minúsculas, ou alguém acha que haveria algum Everest sem o primeiro metro-e-meio do Himalaia?"


Bruno Tolentino.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O silêncio invade
todas as rotas
da indagação fundamental.

Existo?

E as flautas do mar recobram o olvido.







***

Felipe Stefani, Queenscliffe, Australia, Abril 2010.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Só o toque das cítaras
contra a singeleza da paisagem

basta,

no despertar do silêncio continuo.





***

Felipe Stefani, Manly Beach, Australia, Março 2010.

sexta-feira, 26 de março de 2010

E eu que amava o sonho dos pássaros,
dizia às vozes imprevisíveis
que dormiam no mar:

Como posso sonhar,
se a exatidão em que navegam as aves
é maior que a própria vida?

E as sombras do silêncio repetiam:

"É preciso cantar para invadir o segredo".



***

Felipe Stefani, Manly, Australia, 2010.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Cronópios again.

Foram publicados alguns poemas meus no site literário Cronópios, neste link: http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=4405


Confiram!!


Felipe Stefani

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A Marcelo Ariel

.
os signos do silêncio
remexem na fundura interior da primavera

escuta apenas

pela luz

no sonho anterior dos mortos
a escuridão
por trás
outra escuridão

dentro da voz tudo está sonhando

não podes imaginar os sons primaveris sem se destroçar inteiro

basta os ciclos
as fontes

nas noites sôfregas o céu se espelha em lâminas mudas
então pergunta-te
existo?
e se existo sou uma flor monstruosa

pois há nuvens que começam na ceifa

a árvore

o tempo

basta o toque da água nos subterrâneos

e recebes os mortos

a primavera



***

Felipe Stefani

sábado, 23 de janeiro de 2010

ÉBRIO

a noite levou-me qual ébrio furacão dentro do sono a casa o perfume nada sabia do silêncio unânime levava o vinho a janela do quarto negro negro minha treva me chamava madame colocava gelo no copo ah caminho vegetal de tentações mesquinhas na manhã abri as asas na revolta de um insone o vôo sobre a cidade a cidade a cidade a chaga imediata dos vícios deixei-a entorpecida pálpebra negra enquanto o sol faiscava uma loucura unânime migrei para as visões distantes a aurora e o beijo afundou-a até a doçura do sonho besta soberba no outro dia era um poeta




***
Felipe Stefani