segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Novos Poemas Gregos


CARPE DIEM

Pois vida é breve, bebe os dias,
Colhe, nos altares do vinho,
As horas fugitivas da festa.

Bebe navegando o instinto,
O vinho é a lira do mundo,
Onde a musa e a música principiam,
Na dança gloriosa dos sentidos.

Bebe e te embriaga,
Que a peleja se aproxima,
O vinho aflições dissipa,
Celebra a doce alegria,
Honra Baco nesta vida,
Canta, e ama, e te embriaga,
Pois vasto é o retiro.

André Setti


PS - com alguns versos recriados (quatro ou cinco, se bem me recordo) de Alceu e Anacreonte.

Comentários são sempre bem-vindos! Quero saber qual a sensação que este tipo de poema causa nos leitores.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Composição.

O post anterior me deu a ideia de fazer uma composição com pinturas de diferentes épocas, mas com alguma relação entre si. Espero que gostem:


Paul Cezanne, Chateau Noir, 1904-06. Oil on canvas, 29" x 36."

Kazimir Malevich, Suprematist Composition: White on White, 1918. Oil on canvas, 31" x 31."


Morris Louis, Claustral, 1961. Oil on canvas, 85" x 65."

Josef Albers, Homage to the Square: On an Early Sky, 1964. Oil on hardboard, 48" x 48."


Felipe Stefani.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Pontes da Arte.


Biblioteca Medicea Laurenziana, projeto de Michelangelo; Florença.

Mark Rothko, Orange and Yellow, 1956.

Após visitar a Biblioteca Medicea Laurenziana, em Florença, Mark Rothko ficou profundamente influenciado pelas “janelas para o nada” projetadas por Michelangelo. São elas que aparecem em quase toda sua obra posterior. Isso mostra como o passado pode estar sempre presente na arte. Rocthko, um artista moderno (ou pós-moderno se preferirem) influenciado por um renascentista que por sua vez foi influenciado pela arte greco-romana. Porém existe ainda uma outra tradição, que foi abandonada na renascença, que é a tradição da arte simbólica, onde a arte representava os símbolos religiosos e metafísicos. Será que um dia voltaremos a compreender o significado e a beleza da simbologia metafísica, e arte voltara a ser influenciada por seus símbolos?

Pintura Medieval.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

POEMA MÍSTICO.


Repentino,
Na clareira vulcânica da idade,
Concebi assim a leitura da memória;
De que tudo que desata, cresce e morre
Tem um gesto,
Um gesto de princípio.

Deveríamos chamar "ritmo"
Tudo que nos torna exaltados.

Somos tentados a ver dentro do sonho,
Assim nos recriamos do que nos causa escândalo,
Nomeamos a noite, a tarde e a manhã dos tempos,
Como fôssemos deuses.

Somos ritmo do sonho,
Lembrando, vagando,
No fim de cada era,
Causando escândalo.

Vede as estrelas,
Os frutos das figueiras,
O templo,
Furiosamente serão lembrados.
Viveremos disso,
Dando ao mundo
Um nome de batismo.

Chamaremos "inspiração"
Tudo que concentra,
Avança e se enraíza.

Impérios definham.
Somos tentados a dizer que foi um sonho,
Um sonho dentro do sonho,
Se concebêssemos tal geometria.

Pois também se lavram as terras antigas.
Vede, as águas calmas
São também colhidas.

O sonho não é sonho,
A memória não é memória.

Há sempre um Deus a redizer a história.




Poema e desenho de Felipe Stefani.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Tratado de Simbólica.


Estou lendo "Tratado de Simbólica" de Mário Ferreira dos Santos, publicado pela É Realizações. Uma das coisas básicas que aprendemos com esse livro, é como a religião é tratada de forma ingênua, justamente por aqueles que assim a consideram. Estudando a simbologia, aprendemos como a religião está longe de ser, ao contrário do que muita gente ingenuamente pensa, apenas um "sistema de crenças", mas sim uma maneira profunda, filosófica, racional e intuitiva de compreender a existência. Por isso, o livro não é de fácil abordagem, nele Mário Ferreira estuda com todo o rigor necessário a simbólica e o pensamento de filósofos como Platão, Aristóteles e Pitágoras. Ele mostra, por exemplo, como no mundo das idéias de Platão, as formas ideais tem uma significante relação com as formas da realidade e com o mundo inexplicável do infinito por trás delas. Isso mostra que a filosofia de Platão está muito mais próxima de Aristóteles do que costuma-se dizer hoje em dia. Dito tudo isso em outras palavras: não deixem de ler esse livro!!!

Felipe Stefani.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Malabarismos Juvenis.


Eu vi o escasso tempo de malabarismos juvenis
A estalar a seiva acidentada da tarde,
A aurora pura entrelaçada ao meu próprio sono
Nos instantes precários de um segredo vago.

Na oblíqua solidez dos corpos
Abre-se a rosa inicial sem nome, turva e casta,
Impura como a brisa imaculada dos sonhos, da voz,
Em uma espécie de chamado.

Eu vi o estrondo de uma gloriosa infância,
A alegria que em mim eram crianças cintilantes,
Na tarde volúvel, onde o mar, em silêncio maior,
Faz dos corpos uma presença errante.

Devo amar calado o triunfo crepuscular da juventude,
Seus beijos ao mar e sua oferenda de mistérios,
Na rosa oblíqua de um chamado puro,
Na vastidão precária dos instantes.

Eu vi tudo isso e amei, sendo eu mesmo uma oferenda eclusa
Aos mistérios juvenis, que desafiam os segredos do mar.



Poema e desenho de Felipe Stefani.

Pequena Prosa

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Do alto do meu tempo grisalho, contemplo a praça e a cidade, a vida de tantos e tantos enganos. Do mundo fiz pouco caso, ou ao acaso de mim fizeram pouco. Desconheço a ordem dos fatos, a cronologia dos sentimentos. Sei que hoje (e este hoje se estende a muito tempo ao longe) contemplo cisnes, caminho e possuo a tarde, e nada me é estrangeiro. Apenas o mundo, numa dessas andanças, reconstruiu-me sem ideal nem esperança, e o dono da vida, este deus indagado, nem se deu nem ao trabalho de sorrir.
Gastei as melhores horas em versos, amores, mistérios. Mas o que fica disso tudo, para dizer assim, ao fim do caminho? Digo que a mim se afigura imensa a verdadeira estrada, que liga o hoje ao sonho e o sonho ao mundo. Digo apenas isso, o resto deixo ao caminho.

André Setti

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Fitzcarraldo.



O filme "Fitzcarraldo" de 1982, de Herzog, é irmão de "Aguirre, a Cólera de Deus", do mesmo diretor e que comentei a pouco tempo aqui. A cena final, nos dois filmes, tem Klaus Kinski altivo e soberano sobre sua embarcação. Em Fitzcarraldo, triunfante e orgulhoso, em Aguirre, também orgulhoso, mas delirante e derrotado,embora não derrotado aos seus próprios olhos. Mas os dois são a imagem da obsessão, do desejo de conquistar a selva. Esse desejo de conquista de um europeu sobre a Amazônia, me fez pensar sobre a natureza dos desejos humanos, sobre a origem de nossos valores, e nossa obsessão a defende-los a qualquer custo. O interessante é que quando criticamos os conquistadores europeus, ou o capitalismo americano( que é criticado pelos mesmos motivos), fazemos isso também inspirados por nossos preconceitos e valores, que aliais, muitas vezes vieram da Europa. a obsessão de Fitzcarraldo pela Ópera, é a obsessão pela arte e pela beleza, beleza que também abita a selva e a atriz Claudia Cardinare.Por tudo isso é um grande filme.

Felipe Stefani.