sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

A espiritualidade e a arte de percorrer as ondas.


Não é difícil ver o Surf como uma atividade espiritualizada, porem, como qualquer outra atividade que possa ser tomada como tal, pode ser entendida e também praticada, apenas na superficialidade.
Vários outros esportes e atividades artísticas, já foram utilizados, em diversas religiões, como um ponto de partida para um caminho de iluminação. O arco e flecha no Zen Budismo, por exemplo. Na antiga Índia, cada individuo, desempenhava um papel na sociedade, segundo sua aptidão, seja um artista ou um guerreiro, por exemplo, e então, desenvolvendo essa sua aptidão terrena, ele começava a percorrer um caminho de iluminação, depois de iluminado, através desse processo iniciatico, ele voltava a desenvolver seu papel segundo sua aptidão mais terrena, e assim se encaixava toda sociedade.
Por isso, acho que não é a atividade em si que pode garantir a espiritualidade, e sim, a forma como ela é encarada e vivida.
O Surf, que no Havaí, já foi uma atividade religiosa, é hoje apenas um esporte comum, mas pode ser muito mais que isso. Acho que é um esporte estético, e estética, na minha concepção, é espiritualidade.
Cada onda exige uma seqüência de movimentos diferentes, um trajeto diferente, e esse trajeto, tem de ser feito como movimentos harmoniosos, belos e fluidos (o estilo). Não é isso que é a arte, o maximo de eficiência, num espaço estético, não necessariamente predeterminado pelo artista? Beleza e eficiência.
Alem disso, esse esporte tem uma relação direta com a natureza, e mais que isso, com os movimentos cósmicos, é como se o surfista se diluísse nas ondas e ao mesmo tempo, ele as completa, com seus movimentos humanos e estéticos (beleza, arte).
Acho que isso, na mão de um grande sábio, poderia ser usado no processo de iniciação, como na Índia Antiga. Infelizmente, não sou um sábio e nem sei onde encontrá-los hoje em dia. Eles ainda existem?



Felipe Stefani

2 comentários:

O.D.N. disse...

Com certeza felipe, tbém acho que o surf pode ter essa conotação espiritual/estética...tem essa intimidade com a natureza, o respeito por ela, o conhecimento da poderosa força que ela tem e representa num pararelo com o cósmico...as séries de ondas que começam lá fora e terminam na praia, incessantemente, o relativo espaço/tempo que se tem para dar forma ao percurso como tu disse, com prazer, coragem as vezes, com certo domínio e estilo e, diferente das investidas do desejo às custas do planeta por exemplo, ali, por mais que o desafiante 'destrua' as ondas, hehehe, ele não está obtendo nenhum bem material(a não ser as atentas fãs na praia) e elas, as ondas, vão continuar seguindo seu curso e voltando a aparecer dentro do mesmo equilíbrio natural sem maiores consequências, a não ser o desfrute momentâneo e o exercício de habilidade do atleta. Parece um exemplo físico perfeito de uma boa interação com a natureza...legal.

Renata disse...

''O mar tem coração ....é o coração do mar que faz pulsar todas as correntes correntes marítimas .'' Renata Machado

Parabéns a todos pelo Blog esta lindo!

Luz!!