MANHÃ NA PRAÇA
Vejo as crianças na praça,
invisíveis.
Constroem sem dedos
leves canais de força.
Dentro de Deus as crianças
lavram seus cometas
e correm.
Que som intacto
na bucólica discrepância dos dias?
Que extrema melodia
passa ao largo da vida?
Mulheres sonham o ar
cheio de grutas,
sobem nas crateras da manhã
varadas por espelhos.
Em volta delas
penso uma massa de demência,
hipnotizo a cegueira.
As árvores estáticas
humanizam o tempo,
esquecem de Deus
em seus cometas invisíveis.
Alguns jogam xadrez
nas crateras violentas do silêncio,
contra os espelhos da demência.
Esquecem a vida.
Que som intacto passa ao largo?
Que extrema melodia?
***
Felipe Stefani, Santos 2010.
domingo, 12 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
I
Imagino através das cítaras.
Ouço pelo esquecimento.
Levanto.
Respiro.
Sei que o mundo é imenso.
II
Como são abruptos
os sinos mudos do outono.
Violento,
o rasgo anterior
de um grito inaudível.
Tudo é sono.
Pois tudo tende,
de uma forma secreta,
contra as lacunas abismais do esquecimento.
***
Felipe stefani, Santos 2010.
Imagino através das cítaras.
Ouço pelo esquecimento.
Levanto.
Respiro.
Sei que o mundo é imenso.
II
Como são abruptos
os sinos mudos do outono.
Violento,
o rasgo anterior
de um grito inaudível.
Tudo é sono.
Pois tudo tende,
de uma forma secreta,
contra as lacunas abismais do esquecimento.
***
Felipe stefani, Santos 2010.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
NOTURNO
Nos estreitos breves
a arte íngreme
de ser,
frente as faces do mundo.
A margens se re-
dobram nas entranhas das luas.
As barcas sonham a distância das flautas.
Fendido ao tempo feito
um canal,
nos orifícios cegos do fôlego,
basta
aquilo que arrefece.
A inocência do mar submerge as cítaras.
***
Felipe Stefani, escrito da janela do apartamento. Santos, novembro 2010.
Nos estreitos breves
a arte íngreme
de ser,
frente as faces do mundo.
A margens se re-
dobram nas entranhas das luas.
As barcas sonham a distância das flautas.
Fendido ao tempo feito
um canal,
nos orifícios cegos do fôlego,
basta
aquilo que arrefece.
A inocência do mar submerge as cítaras.
***
Felipe Stefani, escrito da janela do apartamento. Santos, novembro 2010.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
A CASA
A mesa, o sonho, a voz.
O transbordar das ruas em minha vida fechada,
ou tudo o que desliza no ventre da idéia,
ou meu tempo de muros cercando árvores secretas.
No outono é onde os teus olhos correm
pelo espaço dançarino do nosso pensamento,
pois pesam juntos os corpos que queimam as casas,
e o pão sobre a mesa.
Mesmo que os centauros da aurora
levantem em nossa guerra
o pecado anterior ao pecado original.
E então oh, minhas aves ébrias
que respiram a benevolência de tuas mãos.
Morrerei de uma tristeza indizível,
pois a carne de tua boca terna no ouro vivo dos meus lábios breves.
Ou morrerei pela inocência.
Repito: vida.
***
Felipe Stefani, primavera 2010.
A mesa, o sonho, a voz.
O transbordar das ruas em minha vida fechada,
ou tudo o que desliza no ventre da idéia,
ou meu tempo de muros cercando árvores secretas.
No outono é onde os teus olhos correm
pelo espaço dançarino do nosso pensamento,
pois pesam juntos os corpos que queimam as casas,
e o pão sobre a mesa.
Mesmo que os centauros da aurora
levantem em nossa guerra
o pecado anterior ao pecado original.
E então oh, minhas aves ébrias
que respiram a benevolência de tuas mãos.
Morrerei de uma tristeza indizível,
pois a carne de tua boca terna no ouro vivo dos meus lábios breves.
Ou morrerei pela inocência.
Repito: vida.
***
Felipe Stefani, primavera 2010.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Lançamento do meu livro "Verso Para Outro Sentido" em Sampa
Dia 25 de setembro lanço meu livro "Verso Para Outro Sentido" pela Escrituras Editora, livro que conta com poemas e desenhos meus. Cliquem na imagem a cima para ver o convite ampliado com os detalhes, data, hora, endereço, etc. Espero todos para uma conversa e depois umas cervejas, claro. Será uma oportunidade para conhecer os leitores desse blog, que são bem poucos, sei, mas especiais...
Até lá,
Felipe stefani
sábado, 31 de julho de 2010
Pequeno Ensaio Sobre o Vagar.
Viajando a Austrália, 6.000Km vagando, vagando, andarilho, ensinando o que não sei.
Amigos, amigos são como luzes interiores e explodem dentro um milhão de caminhos, onde talvez encontre...
Vagando, ensinando.
Vejo a vida e a arte como a busca do extremo, o mais extremo. Talvez até como um beatnik em bangalôs baratos, no ônibus, dentro da música, na dança, em um cabaré, um nigth club. Dançando como um louco.
O extremo... Como quando Cioran sentiu o vazio da existência insustentável do humano . Mas isso ainda não era a resposta sonhou Kierkegaard dentro de uma nuvem, “A depressão é só uma estação na ferrovia da vida”.
Estações, sigo, Byron Bay, Sydney, Coffs Harbour, Torquay, Cairns… Talvez algum lugar onde o corpo exploda na serena alegria do Sol de dentro, dentro do Sol de fora.
Byron Bay agora na escrita.
As ondas de Byron Bay são cítaras feitas pelas mãos de um artesão generoso, com os braços pousados no vento de uma guitarra mística. Esses instrumentos, as ondas de Byron, são onde desenho a música da dança do corpo, mas a música sonhada dentro da melodia perfeita. Longa melodia, perfeito instrumento, essas ondas.
Os melhores surfistas são artesãos que dançam como um Sol melódico, e buscam as desconexões em um acorde que se abriga na harmonia de tudo.
Vejo agora, os corpos caminham pela praia no fim da tarde e são também o som dos pássaros
..............................................................sem ponto final
Felipe Stefani, Byron Bay, Australia, Inverno 2010
Amigos, amigos são como luzes interiores e explodem dentro um milhão de caminhos, onde talvez encontre...
Vagando, ensinando.
Vejo a vida e a arte como a busca do extremo, o mais extremo. Talvez até como um beatnik em bangalôs baratos, no ônibus, dentro da música, na dança, em um cabaré, um nigth club. Dançando como um louco.
O extremo... Como quando Cioran sentiu o vazio da existência insustentável do humano . Mas isso ainda não era a resposta sonhou Kierkegaard dentro de uma nuvem, “A depressão é só uma estação na ferrovia da vida”.
Estações, sigo, Byron Bay, Sydney, Coffs Harbour, Torquay, Cairns… Talvez algum lugar onde o corpo exploda na serena alegria do Sol de dentro, dentro do Sol de fora.
Byron Bay agora na escrita.
As ondas de Byron Bay são cítaras feitas pelas mãos de um artesão generoso, com os braços pousados no vento de uma guitarra mística. Esses instrumentos, as ondas de Byron, são onde desenho a música da dança do corpo, mas a música sonhada dentro da melodia perfeita. Longa melodia, perfeito instrumento, essas ondas.
Os melhores surfistas são artesãos que dançam como um Sol melódico, e buscam as desconexões em um acorde que se abriga na harmonia de tudo.
Vejo agora, os corpos caminham pela praia no fim da tarde e são também o som dos pássaros
..............................................................sem ponto final
Felipe Stefani, Byron Bay, Australia, Inverno 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
Verso.
Queria assim o verso,
extremo.
Mais que extremo,
inaudível.
Do abismo mais profundo
à luz sem margens,
sem limites.
Mas no trabalho lapidar do olvido,
A musa suspira:
“Impossível”.
***
Felipe Stefani, Queenscliff, Outono.
extremo.
Mais que extremo,
inaudível.
Do abismo mais profundo
à luz sem margens,
sem limites.
Mas no trabalho lapidar do olvido,
A musa suspira:
“Impossível”.
***
Felipe Stefani, Queenscliff, Outono.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
On The Train
Janelas, portas de aço,
desencontrados passos,
vielas.
Olhares atentos,
desatentos à vida.
Vento e trilhos
lidam com o tempo.
Segmentos e partidas.
Malas, mulheres, estações.
Passam as horas,
ficam senões.
Corredores e escadas,
para cima, para baixo,
junto a nada.
No céu um faixo,
na morte de um Sol.
Next stop,
Ton Hall.
Um rosto de mulher
balança ao lado,
no outro vagão.
Portas de aço,
vago olhar de chumbo.
Nesta estação
um vagar profundo.
E tudo passa
na fumaça do mundo.
***
Felipe Stefani, Sydney, Outono 2010.
desencontrados passos,
vielas.
Olhares atentos,
desatentos à vida.
Vento e trilhos
lidam com o tempo.
Segmentos e partidas.
Malas, mulheres, estações.
Passam as horas,
ficam senões.
Corredores e escadas,
para cima, para baixo,
junto a nada.
No céu um faixo,
na morte de um Sol.
Next stop,
Ton Hall.
Um rosto de mulher
balança ao lado,
no outro vagão.
Portas de aço,
vago olhar de chumbo.
Nesta estação
um vagar profundo.
E tudo passa
na fumaça do mundo.
***
Felipe Stefani, Sydney, Outono 2010.
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