Felipe Stefani.


Cultuando um pouco de tudo: versos, pinturas, sonhos... Pois (quase) tudo vale a pena se a arte não é pequena.



Assisti essa semana ao filme "O Ovo da Serpente" de 1976 de Ingmar Bergman. O cinema estava lotado para uma segunda-feira, e isso mostra a fama do diretor. Gostei muito, assim como gosto de todos os bons filmes sombrios. Bergman é um mestre dos filmes sombrios. A estoria acontece na Alemanha dos anos vinte, destruída pela primeira guerra, quando o Nazismo dava seus primeiros passos. Uma época sombria, pois viu nascer o maior genocídio da história. O desespero do personagem, muito bem interpretado pelo ator David Carradine, reflete tudo isso com beleza e profundidade.
Felipe Stefani.
Jakob Wassermann

DA GAIVOTA
Cedo naquela manhã, fui subitamente tomada por um forte sentimento trágico.
Não é novidade!
O trágico tem me acompanhado pela vida, mas nessa manhã era diferente.
Não sei se envolvida pelos dramas pessoais dos personagens de Tchekov, que haviam me provocado profunda impressão,
se influenciada pelo trágico coletivo ou se, impregnada pelos meus próprios dramas íntimos, agravados por uma situação de vida opressiva.
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Mais desenhos da artista neste link: http://www.pbase.com/sodesenho/sandra_lagua
Matthias Grünewald era um dos pintores favoritos de Candido Portinari. Tem uma história bonita: por ocasião da visita do pintor brasileiro à Madri, ele foi ao Museu do Prado para ver essa pintura de Grünewald, A Crucificação. Ao chegar o guarda lhe avisou que o museu já havia fechado, então ele foi até a entrada e ficou, por um longo tempo, observando o quadro pela fresta da porta. Aconselho, a todos conhecerem a obra desse pintor. Uma pequena introdução pode ser feita nestes links: http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/grunewald/
Assisti nesse fim de semana ao filme "O Sacrifício" do diretor russo Tarkovscky. O filme, gravado na Suécia em 1986, é o último do diretor que morreu pouco tempo depois, e é talvez o seu filme mais tocante. É uma espécie de poema místico, a fé do personagem tece a teia do enredo. Como um poema, é daqueles bem estruturados, onde a perfeição de sua estrutura potencializa seu mistério. Ele nos leva a uma meditação sobre a beleza e o enigma da arte e da civilização, assim como de nós mesmos. O final, apesar de toda a gravidade da história, me parece iluminado e esperançoso. Não sei se é possível apreciá-lo sem o olhar do misticismo e da poesia. A tela de Leonardo da Vinci parece se expandir em todo filme.
Catedral de Viena
Habitação coletiva, Berlim. Peter Eisenman