sexta-feira, 18 de julho de 2008

Caderno de Meditações.

Estou planejando, junto com o artista Megumi Yuasa, uma exposição onde mostraremos as relações entre os artistas amigos e suas diferentes formas de expressão. Tentaremos expor, junto disso, também o próprio processo de criação. Como uma mostra disso, segue abaixo, algumas imagens do belo caderno de apontamentos do Megumi.

Felipe Stefani.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O Ovo da Serpente de Ingmar Bergman .


Assisti essa semana ao filme "O Ovo da Serpente" de 1976 de Ingmar Bergman. O cinema estava lotado para uma segunda-feira, e isso mostra a fama do diretor. Gostei muito, assim como gosto de todos os bons filmes sombrios. Bergman é um mestre dos filmes sombrios. A estoria acontece na Alemanha dos anos vinte, destruída pela primeira guerra, quando o Nazismo dava seus primeiros passos. Uma época sombria, pois viu nascer o maior genocídio da história. O desespero do personagem, muito bem interpretado pelo ator David Carradine, reflete tudo isso com beleza e profundidade.

Felipe Stefani.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Dica de Leitura.

Jakob Wassermann


Estou lendo “O Homenzinho dos Gansos” do escritor alemão Jakob Wassermann (1873-1934). Confesso que o personagem principal, o músico Daniel, está me causando um pouco de angústia. Isso por que me identifico com seus dilemas. Ele é um jovem músico que deseja viver apenas se dedicando, de corpo e alma, a sua arte, sem dar muita atenção à vida prosaica. Porém, acho que na época em que se passa a estoria, o séc. XIX ,havia menos liberdade do que hoje, e um pouco mais de chance de viver de arte.

É impressionante a profundidade com que Jacob Wassermann descreve seus personagens. Nunca os personagens de um livro me pareceram tão reais e familiares. Ainda estou no começo do livro e já indico a todos. Acho que não é toa que Wassermann seja considerado o Dostoievski do séc. XX.

Felipe Stefani.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Poemas e Desenhos de Sandra Lagua.

É com honra que apresento essa designer e artista plástica. Tem muito talento em diversas formas de expressão, além das aquarelas e desenhos extraordinários, também é escultora e designer de jóias, aliando senso estético e técnica apurada. Me faz lembrar, por esse aspecto, alguns renascentistas. Já merecia mais reconhecimento. Por conta da amplidão de sua obra terá de ser apresentada aos poucos por aqui. Em outros posts pretendo também mostrar suas aquarelas e esculturas. Seguem abaixo dois poemas e dois desenhos:


ODE A SÃO PAULO


Tarde de inverno...
Era tudo tão lindo naquela tarde.
O avião piscando as luzes para o pouso,
A visão do monumento, imponente como um falo.

A silhueta do edifício..., o delírio..., o sonho...
Tomaram conta de mim.
Ah essa febre urbana louca.
Parecia para mim tão linda a visão de pedra e asfalto.

O semáforo, fechado,
transbordava no vermelho do por do sol.
Naquela tarde de inverno delirante
se esvaindo numa febre urbana.


DA GAIVOTA


Cedo naquela manhã, fui subitamente tomada por um forte sentimento trágico.

Não é novidade!

O trágico tem me acompanhado pela vida, mas nessa manhã era diferente.

Não sei se envolvida pelos dramas pessoais dos personagens de Tchekov, que haviam me provocado profunda impressão,

se influenciada pelo trágico coletivo ou se, impregnada pelos meus próprios dramas íntimos, agravados por uma situação de vida opressiva.

***

Mais desenhos da artista neste link: http://www.pbase.com/sodesenho/sandra_lagua

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Matthias Grünewald.

Matthias Grünewald era um dos pintores favoritos de Candido Portinari. Tem uma história bonita: por ocasião da visita do pintor brasileiro à Madri, ele foi ao Museu do Prado para ver essa pintura de Grünewald, A Crucificação. Ao chegar o guarda lhe avisou que o museu já havia fechado, então ele foi até a entrada e ficou, por um longo tempo, observando o quadro pela fresta da porta. Aconselho, a todos conhecerem a obra desse pintor. Uma pequena introdução pode ser feita nestes links: http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/grunewald/

http://www.abcgallery.com/G/grunewald/grunewald.html

http://www.artcyclopedia.com/artists/grunewald_matthias.html

Felipe Stefani.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Cinema: O Sacrificio de Tarkovscky.

Assisti nesse fim de semana ao filme "O Sacrifício" do diretor russo Tarkovscky. O filme, gravado na Suécia em 1986, é o último do diretor que morreu pouco tempo depois, e é talvez o seu filme mais tocante. É uma espécie de poema místico, a fé do personagem tece a teia do enredo. Como um poema, é daqueles bem estruturados, onde a perfeição de sua estrutura potencializa seu mistério. Ele nos leva a uma meditação sobre a beleza e o enigma da arte e da civilização, assim como de nós mesmos. O final, apesar de toda a gravidade da história, me parece iluminado e esperançoso. Não sei se é possível apreciá-lo sem o olhar do misticismo e da poesia. A tela de Leonardo da Vinci parece se expandir em todo filme.


Felipe Stefani

quarta-feira, 18 de junho de 2008

De um Extremo a Outro.

Catedral de Viena

Habitação coletiva, Berlim. Peter Eisenman

Quanta diferença entre a Arquitetura Gótica Medieval e a do arquiteto contemporâneo Peter Eisenman. Uma, arraigada nas tradições místicas medievais tal como a maçonaria, é simétrica e religiosa. A outra é pós-moderna, com forte influencia dos filósofos desconstrutivistas. Eu gosto da arquitetura de Eisenman, embora não me identifique com os filósofos que o influenciam. Sou muito contraditório? Bom, pela arquitetura Gótica tenho profunda admiração, embora não seja maçônico. Acho que é possível identificar-se esteticamente com uma obra de arte, sem necessariamente concordar com o embasamento filosófico que subjaz a ela. A questão que quero colocar aqui é: será possível unir essas duas formas de arquitetura?
Penso isso de forma subjetiva e não do ponto de vista de uma mistura maneirista, como em algumas correntes pós-modernas que revisitaram o classicismo.
Um exemplo interessante é a instalação de Eisenman , abaixo, junto a um castelo medieval.
Geralmente as instalações não me chamam a atenção, mas neste caso gostei.


Instalação de Peter Eisenman no jardim do Museo Castelvecchio em Verona.