domingo, 16 de dezembro de 2007

Veredas Modernas

Diego Velázquez; Retrato do Poeta de Luiz de Góngora y Argote
Frans Hals; Retrato de Pieter van den Broecke; 1633

Uma forma de entender a historia da arte é como, depois do Renascimento, com maior liberdade para criação, aos poucos os artistas foram criando formas mais abstratas. Nessa pintura de Velázquez, Retrato do Poeta de Luiz de Góngora y Argote, a abstração geométrica que veio a tona no modernismo do séc. XX. Na pintura de Frans Hals, o tipo de destorção, de uma abstração parecida com a o impressionismo do séc.IX.
Na Idade Media, a arte era concebida principalmente como representação da simbologia religiosa, tinha muito menos aspectos antropocêntricos, como aconteceu depois do Renascimento.
Vejo uma analogia parecida entre a arte egípcia, com suas formas simples e chapadas, e a arte helênica, mais abstrata, com um nível de entretenimento intelectual bem maior, típico do antropocentrismo.
É só uma maneira de conceber a historia da arte, que também não é uma historia linear, mas com certeza, mudaria muita coisa na visão contemporânea, se começássemos a perceber um pouco mais desse movimento cíclico, entre tradição e antropocentrismo.



Felipe Stefani.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Colaborações: Marcelo Ariel e um texto sobre os 150 anos de Flores do Mal



150 QUIMERAS SONDAM O JARDIM DO ANJO-BÁRBARO.

Uma pequena e confusa abordagem do legado de Baudelaire nos 150 anos de AS FLORES DO MAL.

Por Marcelo Ariel.


Charles Baudelaire foi o Dante de seu tempo e podemos nos arriscar a dizer que 150 anos após a publicação de seu AS FLORES DO MAL , ele ainda ocupa o posto mais alto entre os poetas
no Cânone Ocidental.
Rimbaud , Valéry, Lautréamont, Os surrealistas, T. S. Eliot, Ponge
e outros, inclusive muitos dos nossos contemporâneos devem muito a ele.
Baudelaire de um modo insuspeito para sua época inaugurou
a visualidade deambulatória como um vetor para o texto poético escrito em prosa no seu O SPLEEN DE PARIS e nisto ele atinge como um meteoro nossa atualidade , porque o século 21
será o século dos sentidos em movimento fantasmagórico
ou seja em deambulação constante entre um signo e outro.
O que é a internet senão uma grande caminhada
Em um não- lugar que está ANY WHERE OUT OF THE WORLD ?
Walter Benjamin foi um dos primeiros a apontar Baudelaire
como um dos criadores que refundam a cidade enquanto metáfora de seus próprios fragmentos. Ver seu monumental hiper-ensaio PASSAGENS.
Baudelaire é também o poeta que recupera o conceito latino da filia como centro de sua obra, através de sua ligação profundamente crítica e complementar com o escritor americano Edgar Alan Poe
e esta amizade é ela mesma uma Obra de arte
no sentido mais elevado do termo e só encontrará paralelo na convergências entre Eliot & Pound e nos BEATS )
Seria oportuno se alguma editora brasileira ousasse editar o ensaio de Suzanne Bernard Lê pòeme em Prose - de Baudelaire jusqu` à nos jours,
se possível traduzido por Ivo Barroso ou Leda Tenório da Mota.
Voltando ao centro desta nossa `confusa´ abordagem ,
o que mais chama a atenção, quando examinamos atentamente
a similitude que o próprio Baudelaire estabeleceu entre sua vida
e obra é o fato de que para ele o poeta não deveria jamais ser inofensivo , se descontarmos um certo dândismo irônico
latente em alguns de seus textos e ações e nos lembrarmos
do processo judicial movído na época contra o autor de As Flores do Mal pelo mesmo juiz que havia processado Flaubert
por Madame Bovary,poderemos concluir
que talvez ele tenha sido o último lírico realmente perigoso
ou seja o um dos poucos a assumir o risco por escolhas éticas apenas delineadas no pensamento estético esboçado em seus textos, a saber:
Opção pelo elogio da exclusão e da diferença, crítica do proselitismo e da hipocrisia da Igreja e elogio da alteridade.
O que naquele momento significava se tornar inimigo do Estado
e dos Bons costumes, mas não um inimigo da burguesia européia, que via em Baudelaire,uma espécie de Momo-Culto. ( É fácil notar que mais tarde essa mesma burguesia cultivará uma visão reducionista e preconceituosa de Antonin Artaud,mas devemos ressaltar que o que é transcendência da degradação burguesa
em Baudelaire, se tornará a transcendência provisória da loucura
em Artaud, que tentou realizar em seu próprio corpo um encontro entre a obra de Baudelaire e a de Van Gogh.
Talvez incentivado por um conhecimento excepcional do que está proposto como um esboço de projeto estético em Baudelaire,
sobre isso seria interessante uma possível leitura do TEATRO DO SERAFIM de Baudelaire dentro do TEATRO DA CRUELDADE de Artaud, mas isto fica aqui apenas como uma sugestão.
Para encerrar este falso ensaio, vamos ao fato inquietante :
Perguntei ao meu amigo, crítico-literário e livreiro José Roberto quantos exemplares de AS FLORES DO MAL ele havia vendido em mais de 20 anos no ramo e ele me respondeu:
` Precisamente dez ou doze`
Por que considero isto um fato inquietante?
Ora, estes dados subjetivos, talvez não sirvam para traçar um perfil editorial da carreira do livro de Baudelaire, no BRASIL, mas nos mostram que a influência da quimera econômica ainda ofusca o poder das musas.


Marcelo Ariel-Escritor & performer, autor de ME ENTERREM COM A MINHA AR 15 ( Dulcinéia Catadora) e O TRATADO DOS ANJOS AFOGADOS (No prelo pela LetraSelvagem)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Singela Homenagem.


Morreu recentemente, em Novembro deste ano, o bailarino e coreógrafo francês, Maurice Béjart (1927 – 2007).
Infelizmente, não entendo o suficiente de dança, para fazer um comentário mais profundo de sua obra, mas o que vi, me agradou demais. Suas coreografias são fortes, marcantes e impressionistas.
Uma coisa que gostei, foi que ele foi bastante inovador, sem abrir mão do clássico.
Era culto e lia muito, religião e literatura. Acho que de certa maneira, foi um marco da arte no séc. XX.
Pena eu nunca ter visto um espetáculo seu.
Se alguém tiver uma dica, de alguma reinterpretação de sua obra, me avise.


Felipe Stefani

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

2005, Noite, Avenida Paulista...


Nos idos de 2005, andando na Avenida Paulista, de madrugada, com um amigo que acompanhava este poeta-turista... enfim, surgiu o poema que ora transcrevo.


VIOLENTAS MEMÓRIAS

Somos vulto
na cidade onde o tempo
perde-se em dor entre brumas.

Os passos se dispersam,
a cidade compõe
sua plena música.

Andamos violentas memórias
nas primaveras impróprias,
a Lua a nos dizer das distâncias.

E esquecemos as virtudes, às vezes,
na música dos passos,
até nos perdermos, inspirados.

Ribeiro Eiras

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Colaborações 2: Poema e Projeto Gráfico de Othon d´Eça Neves.

Não escreverei muito aqui pois comecei a conhecer a obra deste poeta a pouco tempo. No entanto, convido a todos a conhecerem junto comigo. Ele escreve em seu blog: http://kindertraum.blogspot.com/
O poema abaixo, junto ao desenho, é uma brincadeira com os números:


DO DESENHO DOS NUMEROS


O oito é o número mais inviolável que existe,
porque é uma trança.
O zero é um anel, mas parece mistério que união ele sela.
A diferença entre o oito e o zero é que o zero rompeu o laço.
O zero é um caminho circular.
O oito é um caminho circular repleto de paisagens transversais.
O zero é um buraco, o oito, o cenário de uma rampa infinita.
O zero é livre, o oito não.
O oito vive, o zero é,
ou não.


sábado, 1 de dezembro de 2007

Artesão de Imagens

O cinema clássico, da década de vinte até começos dos anos cinqüenta, é tão de diferente do cinema contemporâneo, que às vezes fica difícil para nós percebermos onde está a genialidade desses filmes antigos. Pelo menos eu tive um pouco dessa dificuldade. Talvez, depois de tanto experimentalismo no cinema, a partir da Nouvelle vague, nós desaprendemos um pouco a apreciar os verdadeiros artesões do cinema clássico.
Fritz Lang foi um desses artesãos; só quem percebe as sutilezas da lapidação desse mestre de imagens pode perceber beleza em seus filmes. Sua influência no cinema a partir da década de cinqüenta é imensa. Todo mundo que ama o cinema deveria ver seus filmes.
Eu recomendo sua fase hollywoodiana que pouca gente dá atenção, mas que é tão boa quanto a fase européia.